Tokyo Vice: An American Reporter on the Police Beat in Japan (Tóquio proibida: Uma viagem perigosa pelo submundo japonês)

Capa do livro - Tokyo Vice - Jake Adelstein

Autor: Jake Adelstein

Número de páginas: 352

Idioma que eu li: Inglês

Início da leitura: Dezembro de 2025 (não anotei exatamente, shame on me)

Término da leitura: 06/01/2026

E voltamos à ativa em 2026, vamos ver se agora eu consigo fazer mais resenhas por aqui. Se você gosta do que lê por essas bandas, me manda uma mensagem , eu ficarei feliz em saber que alguém gosta do que eu escrevo.

Resumo para apressadinhos:

Tokyo Vice trata da carreira do jornalista Jake Adelstein como repórter policial no Japão, cobrindo diversos crimes, sobretudo os relacionados à Yakuza. Uma história contada com toques de bom humor, muita auto-consciência e uma franqueza absurda, Jake escreve um documento histórico sobre a visão de um gaijiin (estrangeiro) sob a sociedade japonesa. Recomendo demais pra quem assim como eu amou os livros ROTA 66 (Caco Barcellos) e Carandiru (do nosso querido Dráuzio Vrau nelas, que tem resenha aqui no blog)

Os dois pés na porta, e muita cara de pau

O mano Jake é um cara muito doido, com uma cara de pau absurda e muita coragem, isso fica bem claro desde o começo, ele faz questão de mostrar suas falhas e medos, mas o filho da mãe tem um coração de aço (pra não falar de outra coisa).

O livro retrata através dessa ótica inicialmente deslumbrada e depois desiludida (e bem puta) a realidade do trabalho jornalístico japonês em uma grande corporação, e o autor deixa isso bem explícito logo de cara: este livro não é uma ficção, ele retrata o que há de melhor e o que tem de pior na sociedade japonesa.

O microcosmo dos jornalistas e policiais, a “máscara” que todos vestem o tempo todo, sejam os tiras, os jornalistas ou os bandidos, tudo isso é passado de forma bem-humorada, mas muito crua e visceral.

O mano Jake (me sinto chegado do autor) começa como um jovem judeu perdido na sociedade e tentando através do esforço progredir na carreira, e ao longo do livro vai tratando de casos emblemáticos além de mostrar suas dificuldades por ser um estrangeiro trabalhando em um veículo de comunicação japonês tradicional.

O livro nos leva desde o final dos anos 80 até meados dos anos 2000, e nisso podemos ver o amadurecimento tanto do mano Jake como profissional quanto como pessoa.

Por vezes cômico de gargalhar e ao mesmo tempo dando várias bicudas na boca do nosso estômago, esse livro retrata crimes reais, policiais reais, jornalistas reais e um Japão muito além das aparências de país civilizado.

Como é um livro baseado em fatos reais e não é spoiler contar, eu poderia falar de pormenores, mas prefiro deixar que vocês assim como eu se deliciem com as investigações e descobertas, que se emocionem com as perdas e se enlutem pelos que forem ficando pelo caminho.

O caminho trilhado pelo mano Jake é um caminho forjado em sangue e suor, e assim como a sociedade japonesa, vai muito além da camada superficial dele ter sido o único jornalista americano aceito para trabalhar cobrindo casos policiais, a obra é uma coleção de histórias que ajudam a entender até onde vão os limites da honra, da gratidão e da vingança.

Não recomendo para pessoas de estômago fraco, tem muitas coisas sobre violência e violência sexual (principalmente da yakuza, mas não apenas dela), muitos casos de crimes reais, muitos relatos de sofrimento e tráfico humano.

É um mergulho sensacional no submundo que o Japão tenta disfarçar.

Nota: 5 de 5 cinco dedinhos cortados